Focus eleva inflação; energia pesa na prévia de setembro
O mercado revê inflação e crescimento, mas mantém os juros projetados. A conta de luz pressiona os preços no Brasil e o déficit externo dos EUA aumenta.
Mercado
Os juros médios e a inadimplência sobem no Brasil. Nos EUA, o PIB do segundo trimestre é revisado de 1,5% para 2,2%. A Austrália aumenta sua taxa básica.
Edição de 30/09/2026. Apuração encerrada às 09h34 de Brasília. Crédito referente a agosto, divulgado em 29/09. PIB americano do segundo trimestre, divulgado hoje. Decisão australiana de 29/09. Esta página não é atualizada em tempo real.
Brasil · números de agosto publicados em 29/09
O saldo de crédito do Sistema Financeiro Nacional chegou a R$ 7,4 trilhões em agosto, alta de 0,5% no mês. Em 12 meses, o crescimento foi de 9,2%, ante 9,3% em julho. O avanço mensal veio das famílias, com alta de 0,8%. Nas empresas, houve recuo de 0,1%.
Saldo de crédito do Sistema Financeiro Nacional. Comparação com julho, sem ajuste sazonal. Escala simétrica de −1% a +1%. O saldo total cresceu 0,5%. Não representa a variação das novas concessões.
Fonte: Banco Central · Estatísticas monetárias e de crédito.
A taxa média das novas concessões atingiu 32,3% ao ano, aumento de 0,2 ponto percentual no mês. A inadimplência total chegou a 5,0%, alta de 0,1 ponto. Na carteira das famílias, foi a 6,0%, com aumento de 0,2 ponto; nas empresas, permaneceu em 3,3%.
No crédito livre às pessoas físicas, a taxa média subiu 1,4 ponto, para 61,7% ao ano. O Banco Central atribui o movimento principalmente à mudança na composição das operações. Isso significa que o peso de modalidades mais caras pode elevar a média, sem que todos os empréstimos tenham sofrido o mesmo reajuste.
Juros são taxas das novas operações; inadimplência é uma proporção da carteira; saldo mede o estoque de crédito. São indicadores distintos. As novas concessões totais, com ajuste sazonal, cresceram 1,7% no mês. Não se deve comparar diretamente esse número com a variação do saldo sem ajuste.
Fonte: Banco Central · Estatísticas monetárias e de crédito.
Estados Unidos · divulgação de 30/09, às 09h30 de Brasília
O BEA revisou o crescimento do PIB real americano no segundo trimestre de 1,5% para 2,2%, em taxa anualizada. A revisão de 0,7 ponto percentual refletiu principalmente novos números de investimento, consumo e gastos do governo. A publicação saiu nesta manhã e integra a atualização anual das contas nacionais.
Revisão de +0,7 ponto percentual. Taxas com ajuste sazonal e anualizadas. Não é crescimento acumulado em 12 meses nem comparação entre dois trimestres diferentes. Escala de 0% a 3%.
As vendas finais reais a compradores privados domésticos, que somam consumo e investimento fixo privado, passaram de 4,2% para 4,6%. Esse indicador ajuda a observar a demanda privada sem a oscilação dos estoques. O primeiro trimestre também foi revisto: agora registra crescimento de 2,5%, ante 2,1% anteriormente.
Todas essas taxas são trimestrais anualizadas e ajustadas sazonalmente. Anualizar mostra o ritmo que resultaria se a variação trimestral se repetisse por quatro trimestres. A divulgação revisa o passado; não é projeção de crescimento para o ano inteiro. O PCE por estado de 2025, incluído no mesmo comunicado, não é a inflação PCE mensal de agosto.
Austrália · decisão de 29/09
O banco central australiano elevou a meta da cash rate em 0,25 ponto percentual, para 4,60% ao ano. A decisão foi unânime.
Aumento de 0,25 ponto percentual, ou 25 pontos base. Valor anterior calculado por 4,60% menos 0,25 ponto. Escala de 0% a 5%. É decisão de política monetária, não taxa de empréstimo ao consumidor.
O comunicado cita inflação acima do esperado, energia mais cara e pressões sobre a capacidade produtiva. A instituição reconhece desaceleração da economia, mas considera necessário apertar as condições financeiras para conter os preços.
Novas altas seguem possíveis, conforme os dados. Essa decisão descreve as condições australianas e não determina o caminho dos juros no Brasil ou nos Estados Unidos.
O que mudou desde segunda
A edição de segunda tratou do Focus, da prévia da inflação e das contas externas americanas. Hoje, a novidade brasileira é a medição de agosto do crédito. Ela acrescenta números à discussão sobre desaceleração já presente na ata do Copom analisada em 23/09. O Focus de segunda não é reapresentado como divulgação nova.
A revisão americana também muda a informação disponível: o crescimento do segundo trimestre foi maior que o estimado, embora menor que os 2,5% agora atribuídos ao primeiro. Na Austrália, há uma decisão nova de juros. Minha leitura é que esses fatos pedem atenção ao período de referência: o crédito descreve agosto, o PIB revisa abril a junho, e a decisão monetária responde ao cenário avaliado ontem.
O aumento do saldo de empréstimos, isoladamente, não significa crédito mais acessível. Juros e atrasos também precisam entrar na leitura. Da mesma forma, um PIB revisado para cima não permite antecipar sozinho a próxima decisão de um banco central.
Thiago PenidoAssessor de investimentos e sócio da Manchester Investimentos
Banco Central · Estatísticas monetárias e de crédito
Nota para imprensa de 29/09/2026. Crédito e juros de agosto de 2026. Consulta direta ao texto oficial.
BEA · Terceira estimativa do PIB americano
Publicado em 30/09/2026 às 08h30 EDT, 09h30 de Brasília. Segundo trimestre de 2026 e atualização anual das contas nacionais.
RBA · Decisão de política monetária
Comunicado de 29/09/2026. Decisão unânime sobre a meta da cash rate.
Conteúdo informativo e educacional. Não constitui recomendação, oferta de valores mobiliários ou consultoria de investimentos. Não destinado a fins fiscais. Rentabilidade passada não garante resultados futuros.