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Cenário econômicoEdição

Crédito perde força no Brasil; indústria regional recua nos EUA

A ata do Copom detalha o freio no crédito. Nos EUA, Richmond registra queda de encomendas, mas melhora do emprego industrial.

Edição de 23/09/2026. Apuração encerrada às 09h06 de Brasília. Documentos divulgados em 22/09. Esta página não é atualizada em tempo real.

Brasil · ata publicada em 22/09

O freio aparece de forma diferente no crédito

A ata do Copom acrescentou detalhes ao corte de juros anunciado em 16 de setembro. O Banco Central descreve redução nas modalidades mais longas de crédito livre, que respondem mais aos juros. Linhas curtas e emergenciais ainda crescem, mas perderam ritmo. Já o crédito direcionado continua em expansão, com destaque para financiamento imobiliário e operações empresariais apoiadas por fundos garantidores.

O documento também registra desaceleração dos rendimentos do trabalho na margem. Mesmo assim, os ganhos reais ainda superam a produtividade. Para o comitê, a demanda continua pressionando os preços e exige juros restritivos.

Fonte: Banco Central · Ata da 281ª reunião.

Brasil · cenário condicional

A trajetória projetada não é um resultado garantido

No cenário de referência do Copom, o IPCA é projetado em 5,2% para 2026, 3,9% para 2027 e 3,2% nos quatro trimestres até março de 2028. O gráfico organiza esses horizontes; não mostra uma nova rodada de cortes.

O cenário do Copom ainda aponta inflação acima de 3%IPCA acumulado em quatro trimestres, em %
20265,2%
20273,9%
1º trimestre de 20283,2%
03,06

Projeções do cenário de referência da reunião de setembro, não resultados realizados nem medianas do Focus. O último ponto é uma janela de quatro trimestres até março de 2028, não o ano de 2028. Escala de 0% a 6%.

Fonte: Banco Central · Ata da 281ª reunião.

Essas projeções dependem de hipóteses para juros, câmbio, petróleo e energia. Não são as medianas de mercado do Focus publicado na segunda. O tamanho do ciclo de juros segue condicionado à evolução do cenário.

Estados Unidos · pesquisa de setembro

A indústria de Richmond perde encomendas

Divulgada em 22 de setembro, a pesquisa do Federal Reserve de Richmond mostrou o índice industrial composto em −2 pontos, ante 4 em agosto. O saldo de encomendas passou de 3 para −6, e o de remessas, de 11 para −5. O emprego foi na direção contrária, de −2 para 7.

Menos encomendas, mais empregoÍndices mensais com ajuste sazonal, em pontos
Encomendas · agosto3
Encomendas · setembro−6
Remessas · agosto11
Remessas · setembro−5
Emprego · agosto−2
Emprego · setembro7
−120,012

Comparação entre agosto e setembro de 2026. Zero separa saldo positivo e negativo de respostas. Valores são pontos do índice, não variações percentuais da produção ou do emprego. Escala de −12 a +12.

Fonte: Federal Reserve de Richmond · Pesquisa industrial de setembro.

A piora da atividade veio acompanhada de aceleração dos preços pagos pelas empresas. Os preços recebidos aumentaram apenas um pouco mais rapidamente. É possível, portanto, haver demanda mais fraca e pressão de custos ao mesmo tempo.

Fonte: Federal Reserve de Richmond · Pesquisa industrial de setembro.

Como ler os dados

Um indicador regional não representa todos os EUA

Richmond pesquisa empresas do quinto distrito do Federal Reserve, que inclui a capital americana e estados da costa leste. Cada índice representa a diferença entre a parcela que relata aumento e a que relata queda. Um valor de −6 não significa que as encomendas caíram 6%.

Os dados de atividade têm ajuste sazonal. Nesta edição, foram usados os resultados mensais da tabela oficial, não as médias móveis exibidas no site. Uma leitura regional negativa não basta para concluir que a indústria nacional ou a economia americana entrou em recessão.

Fonte: Federal Reserve de Richmond · Metodologia.

O que mudou desde segunda

Atividade mais fraca não elimina o risco de inflação

A edição de segunda tratou do Focus e das referências de juros no Reino Unido e na China. Hoje, o avanço está nos detalhes do crédito brasileiro e na nova pesquisa regional americana. As decisões de juros da semana passada permanecem como contexto, sem reapresentação como novidade.

Minha leitura é que os dois documentos pedem atenção à composição dos dados. O crédito não desacelera por igual, e o emprego industrial pode melhorar enquanto as encomendas caem. Esses movimentos ajudam a entender o quadro, mas não asseguram uma trajetória específica de inflação ou juros.

Thiago PenidoAssessor de investimentos e sócio da Manchester Investimentos

Fontes e referências

  1. Banco Central · Ata da 281ª reunião ↗Consulta em 23 de set de 2026
  2. Federal Reserve de Richmond · Pesquisa industrial de setembro ↗Consulta em 23 de set de 2026
  3. Federal Reserve de Richmond · Metodologia ↗Consulta em 23 de set de 2026
Notas sobre as fontes e as datas de referência

Banco Central · Ata da 281ª reunião
Reunião de 15 e 16/09/2026. Ata publicada em 22/09. Parágrafos 5 a 17 e tabela 1.

Federal Reserve de Richmond · Pesquisa industrial de setembro
Publicada em 22/09/2026. Resultados mensais com ajuste sazonal, tabela na página 2. Não usar a média móvel como resultado mensal.

Federal Reserve de Richmond · Metodologia
Cobertura regional e cálculo dos índices de difusão. Consulta em 23/09/2026.

Conteúdo informativo e educacional. Não constitui recomendação, oferta de valores mobiliários ou consultoria de investimentos. Não destinado a fins fiscais. Rentabilidade passada não garante resultados futuros.