Super Quarta: o que observar em 16 de setembro
Copom e Fed decidem os juros no mesmo dia. O calendário está definido. O que muda a leitura está na decisão e no recado sobre os próximos passos.
O alívio nos preços brasileiros, a aceleração nos Estados Unidos e a alta de juros na Europa antes das decisões de Copom e Fed.
Edição de 16/09/2026. Apuração encerrada às 09h10 de Brasília, antes das decisões de Copom e Fed. Os dados têm as referências indicadas em cada gráfico. Esta página não é atualizada em tempo real.
Brasil
O IPCA, índice oficial de inflação do Brasil, caiu 0,32% em agosto, depois de subir 0,07% em julho. Em 12 meses, a alta passou de 4,44% para 4,22%. O IBGE divulgou os números em 11 de setembro.
A energia elétrica residencial ficou 7,63% mais barata, com a incorporação do Bônus de Itaipu nas faturas de agosto. Sua contribuição foi de −0,33 ponto percentual, ligeiramente maior que a queda do índice inteiro.
Contribuição para a variação mensal, em pontos percentuais. O saldo dos demais itens é aproximado: −0,32 − (−0,33) = +0,01. A diferença usa números arredondados e não equivale a recalcular o IPCA sem energia.
Fonte: IBGE, via Agência Gov.
Isso ajuda a dimensionar o peso de um efeito específico na leitura do mês. A queda da conta de luz aliviou o orçamento, mas um abatimento pontual não permite concluir que os preços continuarão caindo no mesmo ritmo. O índice acumulado em 12 meses segue positivo.
Estados Unidos
Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor, CPI, subiu 0,4% em agosto, ante 0,1% em julho, com ajuste sazonal. A gasolina avançou 3,9% e respondeu por mais de um terço da alta mensal, segundo o BLS.
Julho e agosto de 2026. Variação mensal com ajuste sazonal. O núcleo exclui alimentos e energia. Todas as barras usam a mesma escala, de zero a 0,50%.
Fonte: BLS, divulgação de 11/09/2026.
A aceleração também apareceu no núcleo, que exclui alimentos e energia: de 0,2% para 0,3% no mês. Em 12 meses, porém, o núcleo recuou de 2,5% para 2,4%. O índice geral permaneceu em 3,4%.
As duas comparações descrevem horizontes diferentes. O mês ganhou velocidade, enquanto a medida anual do núcleo cedeu. Confundir essas janelas pode transformar uma leitura parcial numa conclusão exagerada.
Zona do euro
Em 10 de setembro, o Banco Central Europeu elevou suas três taxas em 0,25 ponto percentual. A taxa de depósito passou a 2,50%, com vigência a partir de hoje, 16 de setembro. O banco apontou a pressão inflacionária do conflito no Oriente Médio.
Projeções da equipe técnica do BCE divulgadas em 10/09/2026. Médias anuais, não resultados realizados. A linha pontilhada marca a meta de 2% no médio prazo.
Fonte: BCE, decisão de 10/09/2026.
A equipe técnica projeta inflação média de 3,0% em 2026, 2,5% em 2027 e 2,1% em 2028. São estimativas condicionadas ao cenário, não uma trajetória garantida. O BCE também informou que não assumiu um compromisso prévio com os próximos movimentos de juros.
O que ainda falta nesta quarta
As reuniões terminam hoje. Até o corte desta edição, às 09h10 de Brasília, os resultados não tinham sido divulgados. O calendário do Fed prevê também novas projeções econômicas. A alta do BCE já é uma decisão; os movimentos de Copom e Fed ainda são eventos futuros neste relatório.
A prévia da Super Quarta publicada no portal explica como ler os comunicados. Esta edição acrescenta os dados de inflação, sem repetir aquela explicação nem atribuir aos bancos centrais uma decisão que ainda não foi anunciada.
Agenda conferida no Federal Reserve e no comunicado da B3 sobre o Copom.
Leitura dos dados
A energia aparece nos três recortes, mas por razões distintas. Um bônus na eletricidade brasileira, a alta da gasolina americana e a pressão citada pelo BCE não são o mesmo fenômeno. Tampouco permitem deduzir um caminho único para os juros.
Minha leitura é que o contraste entre o dado geral e seus componentes explica mais que a manchete isolada. Preços de energia podem afetar custos, margens e renda das famílias. A duração desses efeitos e sua transmissão aos demais preços continuam incertas.
IPCA e CPI têm cestas e métodos próprios. Aqui, a comparação destaca a direção recente de cada indicador, sem tratar suas taxas como medidas perfeitamente equivalentes. Os comunicados de hoje poderão acrescentar informação; este texto registra o que estava confirmado nesta manhã.
Conversa de Mercado
Thiago PenidoManchester Investimentos
IBGE · IPCA de agosto de 2026
Divulgação em 11/09/2026. Comunicado do IBGE reproduzido pela Agência Gov. IPCA, energia elétrica e contribuição ao índice.
BLS · Inflação dos Estados Unidos em agosto
Divulgação em 11/09/2026. Variações mensais com ajuste sazonal; variações em 12 meses sem ajuste.
BCE · Decisão monetária de 10 de setembro
Decisão em 10/09/2026, com vigência em 16/09. Projeções da equipe técnica divulgadas no mesmo comunicado. Valores de inflação são médias anuais projetadas.
Federal Reserve · Calendário das reuniões
Reunião de 15 e 16/09/2026, com projeções econômicas. No corte desta edição, o calendário ainda não apresentava o comunicado de setembro.
B3 · Reunião do Copom em setembro
Comunicado da bolsa de 10/09/2026 confirma os dias 15 e 16. As probabilidades da matéria usam o fechamento de 08/09 e não foram tratadas como atuais nem reproduzidas nesta edição.
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