Brasil corta os juros. EUA sobem.
Copom reduz a Selic para 13,75% e Fed eleva a faixa para 3,75% a 4%. Entenda os efeitos sobre crédito, inflação, dólar e investimentos.
O Focus reduz a projeção da Selic para 2026, eleva o IPCA e corta as estimativas de crescimento. Reino Unido e China mantêm suas taxas.
Edição de 21/09/2026. Apuração encerrada às 09h05 de Brasília. Focus divulgado em 21/09, com referência em 18/09. Expectativas e decisões são identificadas separadamente. Esta página não é atualizada em tempo real.
Brasil · nova pesquisa
O Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda, 21 de setembro, reduziu a mediana da Selic esperada para o fim de 2026 de 13,75% para 13,50% ao ano. Ao mesmo tempo, a projeção do IPCA, índice oficial de inflação, passou de 4,90% para 4,92%. Para 2027, as duas medianas ficaram estáveis: Selic de 12,00% e IPCA de 4,30%.
Medianas para o fim de 2026, e não a taxa vigente. Revisão de −0,25 ponto percentual. Escala de zero a 15% ao ano.
Fontes: Focus de 11/09 e Focus de 18/09.
A pesquisa reúne expectativas de instituições participantes. Não é uma decisão do Copom nem uma previsão própria do Banco Central. A referência dos dados é a sexta, 18/09; a divulgação ocorreu hoje. A comparação usa a sexta anterior, 11/09, e mantém a mesma amostra de referência: o agregado dos últimos 30 dias.
| Indicador | 11/09 | 18/09 |
|---|---|---|
| IPCA% | 4,90 | 4,92+0,02 p.p. |
| PIB% | 1,89 | 1,88−0,01 p.p. |
| CâmbioR$/US$ | 5,20 | 5,20Sem mudança |
| Selic% a.a. | 13,75 | 13,50−0,25 p.p. |
| Indicador | 11/09 | 18/09 |
|---|---|---|
| IPCA% | 4,30 | 4,30Sem mudança |
| PIB% | 1,45 | 1,43−0,02 p.p. |
| CâmbioR$/US$ | 5,28 | 5,28Sem mudança |
| Selic% a.a. | 12,00 | 12,00Sem mudança |
IPCA e PIB são variações anuais. Selic é a meta esperada para o fim do ano; câmbio é a cotação média esperada para dezembro. “p.p.” significa ponto percentual. Os valores não são resultados já observados. Não foram misturadas as colunas de cinco dias úteis.
Atividade e câmbio
A mediana para o crescimento do PIB de 2026 caiu de 1,89% para 1,88%. Para 2027, passou de 1,45% para 1,43%. As mudanças são pequenas, mas ocorreram nos dois horizontes. Já o câmbio permaneceu em R$ 5,20 por dólar para dezembro de 2026 e R$ 5,28 para dezembro de 2027.
Projeções de crescimento do PIB ante o ano anterior. Escala de zero a 2%. As duas cores distinguem as datas da pesquisa; as barras não representam dados realizados.
Fontes: Focus de 11/09 e Focus de 18/09.
O conjunto não aponta para um alívio uniforme: há menos juros e menos crescimento esperados para 2026, junto de uma inflação ligeiramente maior. A pesquisa, sozinha, não permite atribuir essas revisões a uma causa única. As medianas também não mostram a opinião de todas as instituições nem garantem que as projeções se confirmem.
Exterior · Reino Unido
Em comunicado de 17 de setembro, o Banco da Inglaterra manteve a Bank Rate em 3,75% ao ano. A votação foi de seis a três. Os três votos contrários defendiam uma alta de 0,25 ponto percentual, para 4%.
O banco informou inflação de 3,1% em agosto, em 12 meses, e apontou o risco de a energia mais cara pressionar outros preços e salários. Ainda vê poucos sinais de efeitos amplos desse tipo, mas considera que o risco aumenta quanto mais duradouro for o choque. A manutenção da taxa não representa um compromisso de estabilidade nas próximas reuniões.
Exterior · China
O comunicado divulgado em 20 de setembro no portal do governo chinês informou a manutenção da LPR de um ano em 3,00% e da LPR acima de cinco anos em 3,50%. A segunda serve de referência para muitos financiamentos imobiliários.
Essas taxas são referências para empréstimos. Não equivalem diretamente à Selic brasileira ou à Bank Rate britânica. O anúncio confirma estabilidade em relação à leitura anterior; não permite concluir, isoladamente, que o crédito ou a economia chinesa aceleraram.
Fonte: Governo chinês · Taxas de referência para empréstimos.
O que mudou desde a última edição
A edição anterior tratou dos dados de inflação no Brasil, nos Estados Unidos e na zona do euro. Os resultados de Copom e Fed foram publicados em uma reportagem própria. Esses fatos não são apresentados aqui como novidade.
O avanço desta edição é a comparação do Focus recém divulgado e a inclusão dos comunicados britânico e chinês. São três objetos diferentes: expectativas de mercado no Brasil, uma decisão de política monetária no Reino Unido e referências de empréstimos na China.
Minha leitura é que as novas informações reforçam a necessidade de separar o horizonte de cada número. Uma projeção menor para os juros no fim do ano pode coexistir com inflação esperada um pouco maior. O tamanho das revisões é conhecido; a trajetória efetiva de preços, atividade e juros continua incerta.
Conversa de Mercado
Thiago PenidoManchester Investimentos
Banco Central · Focus de 18 de setembro
Referência em 18/09/2026, publicação em 21/09/2026 confirmada na página oficial. Medianas do agregado de 30 dias, página 1.
Banco Central · Focus de 11 de setembro
Referência em 11/09/2026. Base da comparação semanal, página 1. As colunas de cinco dias úteis não foram usadas.
Banco da Inglaterra · Decisão de setembro
Comunicado publicado em 17/09/2026, reunião encerrada em 16/09. Taxa, votos e avaliação de riscos.
Governo chinês · Taxas de referência para empréstimos
Comunicado da Xinhua no portal oficial, publicado em 20/09/2026. LPR de um ano e acima de cinco anos.
Conteúdo informativo e educacional. Não constitui recomendação, oferta de valores mobiliários ou consultoria de investimentos. Não destinado a fins fiscais. Rentabilidade passada não garante resultados futuros.