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Cenário econômicoPrévia

Pesquisas, apostas e bolsa: os cenários da eleição de domingo

Lula lidera o primeiro turno nas pesquisas, o segundo turno é quase certo e os mercados de previsão dão Flávio Bolsonaro como favorito no resultado final. O que cada termômetro mede e quanto já errou.

Edição extraordinária de 03/10/2026, véspera do primeiro turno. Apuração encerrada às 13h08 de Brasília. As pesquisas de Datafolha e Quaest previstas para a noite de sábado não estão incluídas. Esta página não é atualizada em tempo real.

Brasil · véspera do primeiro turno

Três termômetros, três leituras

O Brasil vota neste domingo, 4 de outubro, com 158,7 milhões de eleitores aptos. As pesquisas registradas no TSE mostram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) numericamente à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno e os dois empatados na simulação de segundo turno. Os mercados de previsão, que negociam contratos sobre o resultado, dão Flávio como favorito para vencer a eleição. E a bolsa fechou a sexta-feira no maior nível desde abril.

10 de 14pesquisas nacionais recentes têm Lula numericamente à frente no primeiro turno, na contagem do Poder360
94,5%é a probabilidade de segundo turno embutida nos preços do Polymarket
192 milpontos no Ibovespa em 2/10, alta de 4,71% na semana

Esses três números medem coisas diferentes. Pesquisa mede intenção declarada de voto em uma amostra. Mercado de previsão mostra o preço que apostadores aceitam pagar por um desfecho. A bolsa reflete expectativas sobre juros, lucros e contas públicas, além da eleição. Esta reportagem separa o que cada um diz, quanto cada um já errou e quais cenários estão na mesa para a noite de domingo.

Apuração encerrada às 13h08 de sábado, 3/10/2026. As últimas pesquisas de Datafolha e Quaest tinham divulgação prevista para a noite de sábado e não estão neste texto.

Pesquisas registradas no TSE

O que dizem as pesquisas

Nas oito pesquisas nacionais mais recentes que consultei, com entrevistas de 23 de setembro a 2 de outubro, Lula aparece à frente no primeiro turno em seis. Gerp e Futura mostram Flávio na frente. As distâncias vão de cerca de 5 pontos a favor de Lula a cerca de 3 a favor de Flávio, quase sempre perto ou dentro da margem de erro.

Lula à frente no primeiro turno, empate no segundoIntenção de voto estimulada, em % dos votos totais. Oito pesquisas nacionais; abaixo de cada instituto, o período das entrevistas.
  • Lula (PT)
  • Flávio Bolsonaro (PL)

Primeiro turno · Lula × Flávio Bolsonaro

Gerp30/9 a 2/1041 × 43
PoderData/Aya30/9 a 2/1042 × 41
CNT/MDA30/9 a 2/1043,1 × 38,0
Datafolha28/9 a 1/1042 × 38
Futura25 a 29/939,4 × 42,2
AtlasIntel/Bloomberg23 a 28/945,3 × 42,2
Nexus/BTG25 a 27/942 × 37
Quaest24 a 27/939 × 34

Média simples das oito

Médiasem ponderação41,7 × 39,4

Simulação de segundo turno · Lula × Flávio Bolsonaro

Gerp30/9 a 2/1044 × 49
PoderData/Aya30/9 a 2/1046 × 46
CNT/MDA30/9 a 2/1047,3 × 43,1
Datafolha28/9 a 1/1048 × 45
Futura25 a 29/943,5 × 49,0
AtlasIntel/Bloomberg23 a 28/947,6 × 47,7
Nexus/BTG25 a 27/946 × 44
Quaest24 a 27/942 × 42

Média simples das oito

Médiasem ponderação45,6 × 45,7
Ver a ficha de cada pesquisa: registro, amostra, margem e método
InstitutoCampoRegistro no TSEEntrevistasMargem (p.p.)Coleta1º turno2º turno
Gerp30/9 a 2/10BR-00509/20262.400±2telefone41,0 × 43,044,0 × 49,0
PoderData/Aya30/9 a 2/10BR-03519/20264.000±1,5telefone42,0 × 41,046,0 × 46,0
CNT/MDA30/9 a 2/10BR-04756/20262.007±2,2presencial43,1 × 38,047,3 × 43,1
Datafolha28/9 a 1/10BR-08039/20262.506±2presencial42,0 × 38,048,0 × 45,0
Futura25 a 29/9BR-01122/20262.000±2,2telefone39,4 × 42,243,5 × 49,0
AtlasIntel/Bloomberg23 a 28/9BR-04391/20265.005±1internet45,3 × 42,247,6 × 47,7
Nexus/BTG25 a 27/9BR-07557/20262.000±2não informado na fonte42,0 × 37,046,0 × 44,0
Quaest24 a 27/9BR-06520/20262.004±2presencial39,0 × 34,042,0 × 42,0

Escala de 30% a 50%, igual nos dois painéis. Cada linha é uma pesquisa diferente, com método, amostra e margem de erro próprios: os pontos não formam uma série. A média é aritmética simples, sem peso por amostra ou data, e serve só de referência: 41,7% a 39,4% no primeiro turno e 45,6% a 45,7% no segundo. As cores são as do site e não representam partidos.

Fonte: Poder360 · compilação das pesquisas a um dia do 1º turno.

No segundo turno, o quadro muda. Das oito, três têm Lula numericamente à frente, duas têm Flávio e três mostram empate ou diferença de um décimo. Na compilação mais ampla do Poder360, com 14 pesquisas feitas de 9 de setembro a 2 de outubro, o placar é parecido: Lula lidera o primeiro turno em 10 e Flávio em 3; no segundo turno, Flávio está à frente em 6, Lula em 5, e há 3 empates.

Rejeição alta dos dois lados ajuda a explicar o equilíbrio. Na CNT/MDA, 51,7% dizem que não votariam em Flávio de jeito nenhum e 47,6% dizem o mesmo de Lula. No PoderData/Aya, os números são 46% e 47%, na mesma ordem.

A trajetória no Datafolha

A série do Datafolha mostra como a disputa se estreitou. Em junho, Lula tinha 41% e Flávio 31% no primeiro turno. Em 1º de outubro, 42% a 38%. No segundo turno, a vantagem de Lula, que era de 4 pontos do fim de maio a agosto, caiu para 2 em setembro e ficou em 3 na última rodada, sempre no limite da margem de erro.

A distância encolheu em setembroDatafolha, intenção de voto estimulada, em % dos votos totais. Nove rodadas de maio a outubro de 2026.

Primeiro turno · escala de 25% a 45%

  • Lula (PT)
  • Flávio Bolsonaro (PL)

Simulação de segundo turno · escala de 35% a 55%

  • Lula (PT)
  • Flávio Bolsonaro (PL)
Ver os dados em tabela
Fim do campo1º turno · Lula1º turno · Flávio2º turno · Lula2º turno · FlávioRegistro no TSE
13/05/202638%35%45%45%BR-00290/2026
21/05/202640%31%47%43%BR-07489/2026
19/06/202641%31%47%43%BR-09956/2026
20/08/202639%32%47%43%BR-04496/2026
03/09/202639%32%46%44%BR-03669/2026
10/09/202639%35%46%44%BR-01833/2026
16/09/202639%36%46%44%BR-04029/2026
23/09/202640%36%47%45%BR-00304/2026
01/10/202642%38%48%45%BR-08039/2026

As escalas não começam em zero, para que a variação de poucos pontos seja legível; compare os números, não a altura das linhas. Margem de erro de 2 pontos em todas as rodadas. Em 20/8 e 3/9 o cenário ainda incluía Pablo Marçal, cuja candidatura foi indeferida depois. A data de cada ponto é o último dia de entrevistas.

Fonte: Gazeta do Povo · Datafolha de 1º/10, registro BR-08039/2026.

A conta do primeiro turno

O que falta para decidir no domingo

Vence no primeiro turno quem tiver mais da metade dos votos válidos, que excluem brancos e nulos. Desde a redemocratização, isso só aconteceu em 1994 e 1998. Em votos válidos, o Datafolha tem Lula com 45% e Flávio com 40%; a CNT/MDA, 47,8% e 42,1%; o PoderData/Aya, 45% e 43%; a Gerp, 44% e 46%, com Flávio à frente. Nenhuma pesquisa mostra um candidato com 50%.

Na média das pesquisas com esse dado, Lula tem 45,7% e Flávio 42,4% dos válidos. Os demais candidatos somam 11,9%. Para liquidar a eleição no domingo, o líder precisaria de mais 4,3 pontos do que as pesquisas mostram. É uma distância maior do que a margem de erro de qualquer uma delas, mas menor do que o desvio observado em 2022 para o segundo colocado.

O simulador abaixo permite testar essa conta. Mova os controles para ver o que aconteceria se a urna desviasse das pesquisas para um lado ou para o outro.

E se as pesquisas errarem de novo?Votos válidos no primeiro turno, em %. Ponto de partida: média das pesquisas recentes.
Lula (PT)45,7%
Flávio Bolsonaro (PL)42,4%
Demais candidatos11,9%

Pela média das pesquisas, ninguém passa de 50% dos votos válidos: segundo turno, com Lula à frente por 3,3 pontos. Faltariam 4,3 pontos para uma vitória no primeiro turno.

Simulação aritmética, não previsão. O ponto de partida é a média simples dos votos válidos de seis das oito pesquisas: Datafolha, CNT/MDA, PoderData/Aya e Gerp divulgaram o número; para AtlasIntel e Quaest, ele foi calculado a partir dos votos totais, retirando brancos, nulos e indecisos. Futura e Nexus/BTG ficaram de fora por falta desse detalhe nas fontes consultadas. “Mesmo desvio de 2022” aplica a cada campo político a diferença entre o Datafolha da véspera e a urna naquele ano: −1,6 ponto para o candidato do PT e +7,2 para o do PL. Nada garante que o erro se repita, nem na mesma direção. Escala de 0% a 60%; o traço vertical marca os 50%.

Fonte: Poder360 · compilação das pesquisas a um dia do 1º turno.

Fonte: TSE · resultados das eleições de 2022.

Aplicado aos números de hoje, um desvio igual ao de 2022 levaria Flávio a 49,6% e Lula a 44,1% dos válidos: segundo turno, com a ordem invertida. É um exercício, não uma estimativa. Os institutos mudaram amostras e ponderações depois de 2022, e um erro passado não tem direção garantida no futuro.

Polymarket e outras plataformas

O que dizem os mercados de previsão

No Polymarket, o contrato “Brazil Presidential Election” dava 57,1% para Flávio Bolsonaro e 41,5% para Lula às 13h08 de sábado. O mercado acumula US$ 163,3 milhões negociados desde setembro de 2025, embora só cerca de US$ 28 milhões tenham passado pelos contratos dos dois líderes. Lula foi o favorito durante a maior parte do ano e chegou a 66,5% em agosto. Flávio esteve à frente por algumas semanas entre o fim de março e meados de maio, perdeu a posição e a retomou entre 10 e 11 de setembro.

No Polymarket, Flávio passou à frente em 11 de setembroPreço dos contratos “vence a eleição presidencial”, lido como probabilidade implícita, em %. De 1º/1 a 3/10/2026.
  • Lula
  • Flávio Bolsonaro
Ver uma amostra dos dados em tabela (primeiro dia de cada mês e datas de virada)
DataLulaFlávio Bolsonaro
01/01/202650,5%18,1%
01/02/202651,5%27,8%
02/03/202650,5%33,4%
09/04/202641,5%37,0%
01/05/202637,5%43,1%
01/06/202640,5%28,3%
01/07/202655,5%24,1%
01/08/202664,5%24,3%
01/09/202655,5%39,3%
10/09/202652,5%46,4%
11/09/202645,5%52,4%
01/10/202638,5%61,2%
03/10/202641,5%57,1%

Um ponto por dia (00h UTC), mais a leitura das 13h08 de Brasília de 3/10: Flávio 57,1%, Lula 41,5%. Probabilidade implícita é o ponto médio entre a melhor oferta de compra e a de venda; os dois contratos são independentes e não somam 100%. O contrato cobre o vencedor final, incluindo um eventual segundo turno. Não é pesquisa de intenção de voto: é o preço que apostadores aceitam pagar, em uma plataforma bloqueada no Brasil.

Fonte: Polymarket · Brazil Presidential Election.

O dado que mais interessa para domingo está em outros contratos da mesma plataforma. Eles dizem que Lula deve terminar o primeiro turno em primeiro lugar (73,5%) e que o segundo turno é quase certo (94,5%). Ou seja: no primeiro turno, mercado e pesquisas concordam. A divergência está no que vem depois.

Três perguntas, três respostas diferentesProbabilidade implícita em contratos do Polymarket, em %. Leitura de 3/10/2026, 13h08 de Brasília.

Domingo, 4 de outubro

Haverá segundo turnoninguém vence no primeiro94,5%
Lula termina em primeiromais votado no primeiro turno73,5%

Resultado final da eleição

Flávio Bolsonaro vence57,1%
Lula vence41,5%

São mercados separados, com volumes muito diferentes: o do vencedor final acumulava US$ 163,3 milhões negociados; o de primeiro colocado no primeiro turno, cerca de US$ 1 milhão; o de vitória em primeiro turno, US$ 0,6 milhão. “Haverá segundo turno” é o complemento do contrato “algum candidato vence no primeiro turno” (5,55%). O traço vertical marca 50%.

Fonte: Polymarket · Brazil Presidential Election.

Fonte: Polymarket · First Round Winner.

Outras plataformas mostravam números parecidos pouco antes das 13h. Na Kalshi, o contrato de Flávio era negociado a cerca de 60 centavos de dólar e o de Lula a 41. No PredictIt, 62 e 43. No Manifold, que usa dinheiro fictício, 56% e 43%.

O que é preciso saber antes de ler esses números

Apostar em resultado de eleição é proibido no Brasil. Em setembro de 2024, o TSE passou a tratar as apostas eleitorais como ilícito que pode ser enquadrado como abuso de poder econômico. Em 24 de abril de 2026, o governo proibiu mercados de previsão ligados a eleições e esportes e mandou bloquear 27 sites, entre eles Polymarket e Kalshi. Os preços citados aqui são informação pública sobre o que se negocia fora do país. Não são convite nem orientação para apostar.

Esses preços também não são pesquisa. Não há amostra do eleitorado, margem de erro ou registro na Justiça Eleitoral. Com as plataformas bloqueadas no Brasil, quem forma o preço tende a ser gente de fora do país, o que pode afastá-lo do sentimento do eleitor brasileiro. Uma ordem grande pode mover a cotação, e ela muda a cada minuto.

Por que os termômetros divergem

Pesquisa mede hoje. Mercado aposta no depois.

Há pelo menos três explicações em circulação para a distância entre as pesquisas, que mostram empate no segundo turno, e os mercados, que dão cerca de 57% a Flávio. Nenhuma é comprovável antes da apuração.

A memória de 2022. Naquele ano, as pesquisas da véspera subestimaram o voto em Jair Bolsonaro no primeiro turno. Quem aposta pode estar corrigindo os números de hoje por um erro parecido.

A soma dos demais candidatos. Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) somam cerca de 12% dos votos válidos. Para onde esses eleitores vão em 25 de outubro decide a eleição, e as simulações de segundo turno já tentam captar isso, com resultados que variam de instituto para instituto.

A tendência. Flávio ganhou terreno em setembro em quase todas as séries. Mercados costumam extrapolar movimento recente; pesquisas fotografam o momento. Nas rodadas mais recentes de PoderData/Aya e Datafolha, porém, a distância parou de cair.

Há ainda uma explicação menos elegante: o mercado pode simplesmente estar errado. Richard Lapper, da consultoria Aurora Macro Strategies, escreveu a clientes que o equilíbrio migrou para Flávio no último mês, mas bem menos do que os mercados de previsão indicam, segundo a CNBC.

Histórico de acertos e erros

Quanto cada termômetro já errou

Pesquisa erra, e o erro recente teve direção. Em 2022, o Datafolha da véspera dava 50% dos votos válidos a Lula e 36% a Jair Bolsonaro. A urna deu 48,43% e 43,20%. Lula ficou dentro da margem de erro; Bolsonaro, 7,2 pontos acima. Em 2018, o mesmo instituto tinha Bolsonaro com 40% e Fernando Haddad com 25%. O resultado foi 46,03% e 29,28%: os dois subiram, à custa dos demais candidatos. Em 2014, Aécio Neves teve 33,55% depois de aparecer com 26% na véspera. O traço comum é que o candidato que crescia na reta final acabou com mais votos do que a última pesquisa indicava.

Em 2018 e 2022, a urna deu a Bolsonaro mais do que a pesquisa da vésperaVotos válidos no primeiro turno, em %. Círculo vazado: Datafolha da véspera. Círculo cheio: resultado oficial. À direita, a diferença em pontos percentuais.

2022

Lula (PT)pesquisa 50% · urna 48,43%−1,6
Jair Bolsonaro (PL)pesquisa 36% · urna 43,20%+7,2

2018

Jair Bolsonaro (PSL)pesquisa 40% · urna 46,03%+6,0
Fernando Haddad (PT)pesquisa 25% · urna 29,28%+4,3
Ver os dados em tabela
EleiçãoCandidatoDatafolha da vésperaResultado (TSE)Diferença
2022Lula (PT)50%48,43%−1,6 p.p.
2022Jair Bolsonaro (PL)36%43,20%+7,2 p.p.
2018Jair Bolsonaro (PSL)40%46,03%+6,0 p.p.
2018Fernando Haddad (PT)25%29,28%+4,3 p.p.

Datafolha divulgado no sábado anterior a cada primeiro turno (6/10/2018 e 1º/10/2022), em votos válidos, com margem de erro de 2 pontos. Escala de 20% a 55%. Um instituto e duas eleições não medem a qualidade das pesquisas em geral: mostram o tamanho que um desvio já teve. Parte da diferença pode vir de decisão de última hora, voto útil e abstenção, que nenhuma pesquisa de véspera capta por completo.

Fonte: TSE · 100% das seções totalizadas no 1º turno de 2022.

Fonte: Estadão · Datafolha da véspera de 2022.

Fonte: Datafolha · véspera do 1º turno de 2018.

Fonte: Agência Brasil · resultado do 1º turno de 2018.

O Bradesco BBI, ao rever as cinco eleições de 2006 a 2022, encontrou surpresas relevantes entre pesquisas e urnas em todas elas, em direções diferentes. A conclusão do banco é que levantamentos não devem ser lidos como previsão definitiva, sobretudo na reta final.

Nos segundos turnos, com dois candidatos e menos voto disperso, o histórico é melhor. O Datafolha da véspera marcou 52% a 48% em 2022, e a urna deu 50,90% a 49,10%. Em 2018, 55% a 45%, contra 55,13% a 44,87% no resultado.

E os mercados de previsão?

O caso mais citado a favor do Polymarket é a eleição americana de 2024. Uma semana antes da votação, o contrato de Donald Trump marcava 66,3%, e ele venceu. O caso mais citado contra é o da Romênia, em maio de 2025. Uma semana antes do segundo turno, George Simion tinha 65,5%; perdeu para Nicușor Dan. Na Polônia, no mesmo ano, o favorito do mercado também foi derrotado no segundo turno.

Acertos e erros cabem na mesma lógica. Um favorito com 66% deve perder uma em cada três vezes, e um mercado bem calibrado é aquele em que isso de fato acontece. Por isso um caso isolado não prova acerto nem erro. Um levantamento da XP com 15 eleições, citado pelo Brazil Journal, dá uma ideia de escala.

Quanto mais perto da eleição, mais o favorito do mercado venceParcela de eleições em que o favorito do Polymarket venceu, por antecedência, em %. Estudo da XP com 15 eleições.
80 dias antescerca de metade≈50%
60 dias antes69%
30 dias antes73%
No dia da eleição13 de 15 eleições87%
Ver os dados em tabela
AntecedênciaFavorito venceu
80 dias antes≈50%
60 dias antes69%
30 dias antes73%
No dia da eleição87%

Levantamento da XP Política com a principal aposta em 15 eleições no mundo, citado pelo Brazil Journal em 1º/10/2026. “Acerto” significa que o favorito do mercado naquela data venceu. No dia da votação, as exceções foram Holanda e Polônia. A própria XP pede cautela: a amostra é pequena e cada eleição tem dinâmica própria. O traço vertical marca 50%.

Fonte: Brazil Journal · estudo da XP sobre o Polymarket.

Pela mesma régua, os 57% de Flávio hoje significam que, em cada 100 situações parecidas, o favorito perderia cerca de 43. E a eleição decisiva, nesse caso, não é a de domingo: é a de 25 de outubro, a três semanas de distância. Na amostra da XP, o acerto a 30 dias foi de 73%.

O que pode acontecer no domingo

Quatro cenários para a noite da apuração

Os cenários abaixo organizam o que pesquisas, mercados de previsão e relatórios de bancos descrevem. A referência de preço é da mesa de operações do Goldman Sachs, que em 30 de setembro dividiu o primeiro turno em três faixas conforme a vantagem de Lula. Não são previsões minhas nem recomendações.

Cenário 1 · o das pesquisas

Segundo turno, Lula à frente por 2 a 4 pontos

É o que a média das pesquisas indica: algo como 46% a 42% dos válidos. Para o Goldman, é o cenário que já está nos preços. A campanha de três semanas começaria com empate nas simulações de segundo turno.

Cenário 2 · surpresa a favor de Lula

Segundo turno, Lula abre mais de 4 pontos

É o que mostram, por exemplo, CNT/MDA (5,7 pontos nos votos válidos) e Datafolha (5 pontos). Para o Goldman, haveria risco de correção nos ativos brasileiros. Nos mercados de previsão, o favoritismo de Flávio tenderia a ser reavaliado.

Cenário 3 · surpresa a favor de Flávio

Segundo turno, empate ou Flávio à frente

É o que mostram Gerp e Futura, e o que resultaria de um desvio como o de 2022. O Polymarket atribui 26,5% a Flávio terminar em primeiro. Para o Goldman, haveria potencial de forte alta dos ativos locais.

Cenário 4 · o menos provável

Decisão no primeiro turno

Nenhuma pesquisa mostra 50% dos válidos para alguém, e os mercados dão cerca de 6%. Exigiria um desvio de mais de 4 pontos a favor do líder ou uma queda forte dos demais candidatos na reta final.

Em qualquer dos três primeiros cenários, a eleição presidencial só se decide em 25 de outubro. O que a noite de domingo define de fato é a composição do Congresso e o ponto de partida do segundo turno.

Bolsa, dólar e juros

O que o mercado financeiro espera

O Ibovespa fechou a sexta-feira, 2 de outubro, em 192.114,55 pontos, alta de 2,63% no dia e de 4,71% na semana, o maior fechamento desde 22 de abril. O dólar comercial ficou praticamente estável, a R$ 5,216. O pregão teve dados fracos de emprego nos Estados Unidos e forte oscilação ligada à eleição; o índice brasileiro de volatilidade implícita bateu recorde, segundo o InfoMoney.

Os relatórios de bancos tratam a eleição como um evento de dois lados. A leitura predominante é que os investidores associam uma vitória de Flávio Bolsonaro a um ajuste fiscal mais profundo e, por isso, a juros e dólar mais baixos; e a reeleição de Lula à continuidade da política atual. É a leitura dos preços, não um juízo sobre os candidatos. O JPMorgan projeta o dólar a R$ 4,90 no primeiro caso e a R$ 5,50 no segundo, segundo a CNBC. O Citi calcula que o país precisa de um ajuste fiscal permanente de 3% a 3,5% do PIB para estabilizar a dívida, seja quem for o eleito.

A distância entre o pior e o melhor cenário é de 83 mil pontosIbovespa, em mil pontos: fechamento de 2/10/2026 e os três cenários da XP para o fim de 2026.
Cenário pessimistajuro real de 8,5%165 mil
Fechamento de 2/10192.114,55 pontos192 mil
Valor justocenário-base da XP200 mil
Cenário otimistajuro real de 6%248 mil

Projeções de uma casa, publicadas em 1º/10/2026, condicionadas a premissas de juros, lucros e política fiscal. Não são associadas pela XP a um candidato específico. Escala de 0 a 260 mil pontos. Projeção não é garantia de resultado.

Fonte: InfoMoney · cenários da XP para o Ibovespa.

Fonte: InfoMoney · fechamento de 02/10/2026.

O Bradesco BBI analisou as cinco eleições de 2006 a 2022 e concluiu que as maiores oscilações ocorreram logo depois do primeiro turno, não na definição do vencedor. “O evento mais negociável é a apuração do primeiro turno, e não necessariamente o vencedor final da eleição”, escreveram os estrategistas Pedro Grimaldi e Ben Laidler. O que move os preços, segundo eles, é a distância entre a urna e as pesquisas, além da composição do Congresso.

O primeiro turno costuma mexer mais com a bolsa do que o segundoVariação do Ibovespa no pregão seguinte a cada votação presidencial, em %.
  • Alta
  • Queda

Depois do primeiro turno

20146 de outubro+4,7%
20188 de outubro+4,6%
20223 de outubro+5,5%

Depois do segundo turno

201427 de outubro−2,8%
201829 de outubro−2,2%
202231 de outubro+1,3%

Escala simétrica de −8% a +8%. Os três primeiros turnos são os valores arredondados do relatório do Bradesco BBI; os segundos turnos vêm do noticiário de cada fechamento (−2,77%, −2,24% e +1,31%). Três eleições são uma amostra pequena, e em cada uma o resultado surpreendeu em uma direção diferente. O padrão descreve o passado; não diz o que acontecerá na segunda-feira.

Fonte: InfoMoney · relatório do Bradesco BBI sobre primeiros turnos.

Fonte: Gazeta do Povo/Reuters · 27/10/2014.

Fonte: Correio Braziliense/Agência Estado · 29/10/2018.

Fonte: CNN Brasil · 31/10/2022.

Além da Presidência

No domingo também se elegem 27 governadores, 54 dos 81 senadores, 513 deputados federais e os deputados estaduais e distritais. Para quem acompanha a economia, o Congresso importa tanto quanto o Planalto: é ele que aprova, altera ou barra qualquer regra fiscal, reforma tributária ou privatização que o próximo presidente proponha. O BBI considera a composição do Legislativo uma informação subestimada pelos investidores.

Agenda · informação futura

Como acompanhar a apuração

A votação vai das 8h às 17h, no horário de Brasília, em todo o país. A divulgação dos resultados começa às 17h, pelo portal e pelo aplicativo Resultados, do TSE. O tribunal não fixa horário para o fim da apuração. Se ninguém tiver mais da metade dos votos válidos, o segundo turno será em 25 de outubro, um domingo.

Três números ajudam a ler a noite: a diferença entre os dois primeiros, comparada aos 2 a 4 pontos que as pesquisas indicam; a soma dos demais candidatos, que define o tamanho do eleitorado em disputa no segundo turno; e as bancadas eleitas para Câmara e Senado.

Minha leitura

Separar medição, preço e resultado

As pesquisas dizem que o primeiro turno termina com Lula à frente e sem vencedor. Os mercados de previsão concordam com isso e discordam sobre o segundo turno. A bolsa subiu com a disputa apertada. Nenhuma dessas três coisas é o resultado, e as três já erraram antes.

Para quem investe, a tentação em semanas assim é transformar um palpite eleitoral em posição na carteira. O histórico mostra reações fortes no pregão seguinte, em direções que dependeram da surpresa e não do favorito, e parte delas se desfez nos dias seguintes. O que pesa por mais tempo é a política fiscal que sair das urnas e do Congresso, e isso não se conhece no domingo à noite.

Thiago PenidoAssessor de investimentos e sócio da Manchester Investimentos

Fontes e referências

  1. Poder360 · pesquisas a um dia do 1º turno ↗Consulta em 03 de out de 2026
  2. Gazeta do Povo · Datafolha de 1º/10/2026 ↗Consulta em 03 de out de 2026
  3. Exame · CNT/MDA de 3/10/2026 ↗Consulta em 03 de out de 2026
  4. Poder360 · PoderData/Aya de 3/10/2026 ↗Consulta em 03 de out de 2026
  5. Poder360 · Gerp de 3/10/2026 ↗Consulta em 03 de out de 2026
  6. Poder360 · AtlasIntel/Bloomberg de 29/9/2026 ↗Consulta em 03 de out de 2026
  7. Poder360 · Quaest de 28/9/2026 ↗Consulta em 03 de out de 2026
  8. Poder360 · Futura de 30/9/2026 ↗Consulta em 03 de out de 2026
  9. Poder360 · Nexus/BTG de 28/9/2026 ↗Consulta em 03 de out de 2026
  10. Polymarket · Brazil Presidential Election ↗Consulta em 03 de out de 2026
  11. TSE · calendário eleitoral de 2026 ↗Consulta em 03 de out de 2026
  12. TSE · resultado do 1º turno de 2022 ↗Consulta em 03 de out de 2026
  13. Datafolha · véspera do 1º turno de 2018 ↗Consulta em 03 de out de 2026
  14. Brazil Journal · estudo da XP sobre o Polymarket ↗Consulta em 03 de out de 2026
  15. Agência Brasil · TSE e apostas eleitorais ↗Consulta em 03 de out de 2026
  16. Bloomberg Línea · bloqueio de mercados de previsão ↗Consulta em 03 de out de 2026
  17. InfoMoney · fechamento de 02/10/2026 ↗Consulta em 03 de out de 2026
  18. InfoMoney · três cenários da mesa do Goldman Sachs ↗Consulta em 03 de out de 2026
  19. InfoMoney · cenários da XP para o Ibovespa ↗Consulta em 03 de out de 2026
  20. InfoMoney · Bradesco BBI sobre primeiros turnos ↗Consulta em 03 de out de 2026
  21. Times Brasil/CNBC · projeções de Wall Street ↗Consulta em 03 de out de 2026
  22. Radioagência Nacional · eleitorado de 2026 ↗Consulta em 03 de out de 2026
  23. Rádio Senado · divulgação dos resultados ↗Consulta em 03 de out de 2026
Notas sobre as fontes e as datas de referência

Poder360 · pesquisas a um dia do 1º turno
Publicado em 03/10/2026, 8h. Compilação de 14 pesquisas nacionais registradas no TSE, com campo de 9/9 a 2/10: Lula à frente no 1º turno em 10, Flávio em 3, 1 empate; no 2º turno, Flávio em 6, Lula em 5, 3 empates.

Gazeta do Povo · Datafolha de 1º/10/2026
Registro BR-08039/2026, 2.506 entrevistas de 28/9 a 1º/10, margem de 2 pontos. Votos totais 42% a 38%; válidos 45% a 40%; 2º turno 48% a 45%. A série de maio a setembro foi lida nas páginas de cada rodada no mesmo veículo.

Exame · CNT/MDA de 3/10/2026
Registro BR-04756/2026, 2.007 entrevistas presenciais de 30/9 a 2/10, margem de 2,2 pontos. Válidos 47,8% a 42,1%; totais 43,1% a 38,0%; 2º turno 47,3% a 43,1%; rejeição 51,7% (Flávio) e 47,6% (Lula).

Poder360 · PoderData/Aya de 3/10/2026
Registro BR-03519/2026, 4.000 entrevistas por telefone de 30/9 a 2/10, margem de 1,5 ponto. Válidos 45% a 43%; totais 42% a 41%; 2º turno 46% a 46%.

Poder360 · Gerp de 3/10/2026
Registro BR-00509/2026, 2.400 entrevistas por telefone de 30/9 a 2/10. Totais: Flávio 43%, Lula 41%; válidos 46% a 44%; 2º turno 49% a 44%.

Poder360 · AtlasIntel/Bloomberg de 29/9/2026
Registro BR-04391/2026, 5.005 entrevistas de 23 a 28/9, margem de 1 ponto. 1º turno 45,3% a 42,2%; 2º turno 47,6% a 47,7%. Votos válidos calculados nesta reportagem sobre a base de 97,9%.

Poder360 · Quaest de 28/9/2026
Registro BR-06520/2026, 2.004 entrevistas de 24 a 27/9, margem de 2 pontos. 1º turno 39% a 34%; 2º turno 42% a 42%. Votos válidos calculados sobre a base de 85%.

Poder360 · Futura de 30/9/2026
Registro BR-01122/2026, 2.000 entrevistas por telefone de 25 a 29/9, margem de 2,2 pontos. 1º turno: Flávio 42,2%, Lula 39,4%; 2º turno 49,0% a 43,5%.

Poder360 · Nexus/BTG de 28/9/2026
Registro BR-07557/2026, 2.000 entrevistas de 25 a 27/9, margem de 2 pontos. 1º turno 42% a 37%; 2º turno 46% a 44%.

Polymarket · Brazil Presidential Election
Leitura da API pública em 03/10/2026 às 13h08 de Brasília: Flávio Bolsonaro 57,05% e Lula 41,5% (ponto médio entre compra e venda); volume de US$ 163,3 milhões. Série diária de 1º/1 a 3/10/2026 pela API de histórico de preços. Contratos de 1º lugar no 1º turno (Lula 73,5%) e de vitória em 1º turno (5,55%) lidos no mesmo horário.

TSE · calendário eleitoral de 2026
1º turno em 4/10/2026, das 8h às 17h de Brasília; eventual 2º turno em 25/10/2026.

TSE · resultado do 1º turno de 2022
Lula 48,43% e Bolsonaro 43,20% dos votos válidos. Comparado ao Datafolha de 1º/10/2022 (50% a 36%).

Datafolha · véspera do 1º turno de 2018
Bolsonaro 40% e Haddad 25% dos votos válidos em 6/10/2018. Resultado oficial de 46,03% e 29,28%, conforme a Agência Brasil com dados do TSE.

Brazil Journal · estudo da XP sobre o Polymarket
Publicado em 01/10/2026. Levantamento da XP Política com 15 eleições: acerto perto de 50% a 80 dias, 69% a 60 dias, 73% a 30 dias e 87% no dia. Fonte secundária; o relatório original não foi consultado.

Agência Brasil · TSE e apostas eleitorais
17/09/2024. O TSE passou a tratar apostas eleitorais como ilícito eleitoral.

Bloomberg Línea · bloqueio de mercados de previsão
24/04/2026. Resolução proíbe mercados de previsão ligados a eleições e esportes; 27 sites bloqueados, entre eles Polymarket e Kalshi.

InfoMoney · fechamento de 02/10/2026
Ibovespa a 192.114,55 pontos, alta de 2,63% no dia e de 4,71% na semana; dólar comercial a R$ 5,216.

InfoMoney · três cenários da mesa do Goldman Sachs
30/09/2026. Faixas de vantagem de Lula no 1º turno e reação esperada dos ativos.

InfoMoney · cenários da XP para o Ibovespa
01/10/2026. Valor justo de 200 mil pontos no fim de 2026; cenário otimista de 248 mil e pessimista de 165 mil.

InfoMoney · Bradesco BBI sobre primeiros turnos
Relatório de Pedro Grimaldi e Ben Laidler sobre as eleições de 2006 a 2022. Ibovespa de cerca de +4,7%, +4,6% e +5,5% após os primeiros turnos de 2014, 2018 e 2022.

Times Brasil/CNBC · projeções de Wall Street
03/10/2026. JPMorgan: dólar a R$ 4,90 ou R$ 5,50 conforme o vencedor. Citi: ajuste fiscal de 3% a 3,5% do PIB. Avaliação de Richard Lapper sobre os mercados de previsão.

Radioagência Nacional · eleitorado de 2026
12/08/2026. 158,7 milhões de eleitores aptos, segundo o TSE.

Rádio Senado · divulgação dos resultados
02/10/2026. Resultados a partir das 17h de Brasília pelo portal e aplicativo Resultados; sem horário previsto para o fim da apuração.

Conteúdo informativo e educacional. Não constitui recomendação, oferta de valores mobiliários ou consultoria de investimentos. Não destinado a fins fiscais. Rentabilidade passada não garante resultados futuros. Reportagem informativa, sem apoio a candidatos. As cotações de mercados de previsão são citadas como informação pública e não constituem orientação de aposta; apostas sobre resultado de eleição são proibidas no Brasil. Pesquisas citadas com o número de registro no TSE.