Focus: inflação de 2026 passa de 5%; indústria recua em agosto
O mercado eleva a projeção de inflação pela terceira semana e mantém os juros previstos. A indústria brasileira encolhe em agosto e os EUA criam 29 mil vagas em setembro.
Mercado
Em dois pregões, o dólar de referência do Banco Central recuou 4,86% e a bolsa subiu 7,14%. As taxas dos títulos públicos prefixados caíram mais de um ponto percentual.
Edição de 07/10/2026. Apuração encerrada às 09h08 de Brasília. Câmbio, bolsa e taxas do Tesouro Direto até 06/10. Balança comercial dos Estados Unidos de agosto, divulgada em 06/10. Sem cotações do pregão de hoje. Esta página não é atualizada em tempo real.
Brasil · pregões de 05/10 e 06/10
Os dois primeiros pregões depois do primeiro turno mexeram nos preços como poucas vezes neste ano. A PTAX de venda, taxa de câmbio de referência calculada pelo Banco Central, saiu de R$ 5,2238 na sexta, 02/10, para R$ 4,9859 na segunda, 05/10, queda de 4,55%. Na terça, 06/10, recuou mais 0,32%, para R$ 4,9698, cerca de R$ 4,97. A última PTAX abaixo de R$ 5 havia sido a de 14/05, em R$ 4,9809.
Na B3, o Ibovespa fechou a segunda em 206.911,89 pontos. O índice subiu 7,70% sobre os 192.114,55 pontos de sexta. Foi o primeiro fechamento acima de 200 mil pontos; o recorde anterior de fechamento era de 198.657,33 pontos, em 14/04. Na terça, o índice devolveu 0,52% e terminou em 205.835,29 pontos.
Variação de cada dia sobre o dia útil anterior, calculada a partir dos fechamentos da B3 e da PTAX de venda do Banco Central. Escala simétrica de −10% a +10%. Barras à esquerda do eixo indicam queda.
Somados os dois dias, o dólar de referência caiu 4,86% e o Ibovespa subiu 7,14%.
| Data | Dólar | Ibovespa |
|---|---|---|
| 01/102026 | 5,2079R$ por dólar | 187.197,46pontos |
| 02/102026 | 5,2238R$ por dólar | 192.114,55pontos |
| 05/102026 | 4,9859R$ por dólar | 206.911,89pontos |
| 06/102026 | 4,9698R$ por dólar | 205.835,29pontos |
A PTAX é uma média de cotações coletadas pelo Banco Central ao longo do dia. Por isso ela difere do preço de fechamento do mercado à vista divulgado pela imprensa. As variações foram calculadas por mim a partir das séries oficiais. O movimento veio depois do resultado de domingo, e a cobertura de mercado, como a do InfoMoney, associou a alta ao placar das urnas. Os preços mostram a reação dos investidores. Eles não dizem qual será o resultado do segundo turno nem a política econômica do próximo governo.
Brasil · taxas do Tesouro Direto
A reação apareceu também nos juros. No Tesouro Direto, a taxa de referência da manhã do Tesouro Prefixado com vencimento em 2029 passou de 13,83% ao ano na sexta, 02/10, para 12,74% na segunda e 12,55% na terça, 06/10. No título com vencimento em 2032, foi de 14,15% para 12,95% e depois para 12,71%. São quedas de 1,28 e 1,44 ponto percentual em dois dias úteis.
Escala de 0% a 16%. As diferenças foram de −1,28 e −1,44 ponto percentual. Navy indica a sexta anterior ao primeiro turno; dourado, a terça seguinte. A meta da Selic, de 13,75% ao ano, não mudou no período.
Fonte: Tesouro Nacional · Taxas dos títulos ofertados pelo Tesouro Direto.
Nos títulos atrelados à inflação, o Tesouro IPCA+ 2035 saiu de 7,55% para 6,86% e voltou a 6,92% ao ano acima do IPCA. A meta da Selic continua em 13,75% ao ano. Ela é decidida pelo Copom e não mudou nesta semana. O que caiu foi a taxa que o mercado cobra para emprestar ao governo por prazos mais longos.
Taxa e preço andam em direções opostas nos títulos prefixados. O preço de venda de referência do Prefixado 2032 passou de R$ 499,06 para R$ 533,66 entre sexta e terça, alta de 6,9%. O mesmo mecanismo produz perda quando as taxas sobem.
Taxas de compra e preços de venda divulgados pelo Tesouro Nacional na abertura de cada manhã. Eles refletem as condições daquele momento e mudam ao longo do dia. As diferenças em ponto percentual foram calculadas por mim. Dois dias de histórico não indicam tendência, e esta edição não faz recomendação de compra ou venda.
Fonte: Tesouro Nacional · Taxas dos títulos ofertados pelo Tesouro Direto.
Estados Unidos · divulgação de 06/10
O déficit dos Estados Unidos no comércio de bens e serviços subiu para US$ 105,6 bilhões em agosto, ante US$ 92,8 bilhões em julho, número revisado. A informação é do BEA, órgão de estatísticas econômicas do governo americano. As exportações somaram US$ 315,2 bilhões, US$ 4,5 bilhões a mais que em julho. As importações chegaram a US$ 420,8 bilhões, aumento de US$ 17,2 bilhões.
Valores mensais com ajuste sazonal. Escala de 0 a 120 bilhões de dólares. Barras maiores indicam déficit maior.
Fonte: BEA · Comércio internacional de bens e serviços dos EUA.
O saldo negativo em bens aumentou US$ 12,8 bilhões, para US$ 136,6 bilhões, enquanto o superávit em serviços ficou em US$ 31,0 bilhões. No acumulado do ano, porém, o déficit total é US$ 138,2 bilhões menor que o do mesmo período de 2025, uma queda de 19,9%.
O dado descreve agosto e foi publicado em 06/10. O BEA informa a próxima divulgação para 04/11. O Fed, banco central americano, publica a ata de cada reunião três semanas depois da decisão, o que coloca a ata de 15 e 16 de setembro na agenda desta quarta, 07/10. O documento sai depois do fechamento desta edição e não é comentado aqui. A decisão de setembro já foi tratada, e a próxima reunião está marcada para 27 e 28 de outubro.
Fonte: BEA · Comércio internacional de bens e serviços dos EUA.
Fonte: Federal Reserve · Calendário do comitê de política monetária.
O que mudou desde a última edição
A edição de segunda foi fechada antes da abertura do mercado e avisou que não media a reação ao primeiro turno. Essa é a novidade de hoje: câmbio, bolsa e juros dos dois pregões seguintes, mais a balança comercial americana de agosto. O Focus de 02/10 não é retomado. Vale lembrar apenas que aquelas projeções, com câmbio de R$ 5,20 para o fim do ano, foram coletadas antes da votação.
O segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) será em 25 de outubro. A apuração e os cenários estão na reportagem especial de 4 de outubro.
Minha leitura é que a semana separou duas coisas que costumam andar misturadas. Os preços dos ativos mudaram muito em dois dias, porque dependem de expectativas. Os indicadores da economia real, como inflação, produção e emprego, são os mesmos de sexta. Dólar e juros mais baixos, se durarem, tendem a aliviar a inflação e o custo do crédito com o tempo, mas dois pregões não permitem dizer que vão durar. Até o dia 25, o resultado da eleição segue em aberto, e os preços podem se mover nas duas direções.
Thiago PenidoAssessor de investimentos e sócio da Manchester Investimentos
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Banco Central · Cotações de fechamento PTAX
Dólar dos Estados Unidos, taxa de venda, de 01/01 a 06/10/2026, lida no serviço de dados abertos do Banco Central.
B3 · Estatísticas históricas do Ibovespa
Fechamentos diários de 2025 e de 2026 até 06/10/2026.
Tesouro Nacional · Taxas dos títulos ofertados pelo Tesouro Direto
Taxas de compra e preços de venda de referência da manhã, datas base de 02/10, 05/10 e 06/10/2026.
Banco Central · Meta da taxa Selic, série 432
Meta em vigor em 07/10/2026: 13,75% ao ano.
BEA · Comércio internacional de bens e serviços dos EUA
Agosto de 2026, publicado em 06/10/2026, com julho revisado. Próxima divulgação informada: 04/11/2026.
Federal Reserve · Calendário do comitê de política monetária
Reuniões de 15 e 16/09 e de 27 e 28/10/2026. Atas publicadas três semanas depois de cada decisão.
InfoMoney · Cobertura do pregão de 05/10
Publicado em 05/10/2026. Usado como contexto de imprensa sobre a leitura do mercado; os números da edição vêm das fontes oficiais.
Conteúdo informativo e educacional. Não constitui recomendação, oferta de valores mobiliários ou consultoria de investimentos. Não destinado a fins fiscais. Rentabilidade passada não garante resultados futuros.