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Cenário econômicoEdição

Focus: inflação de 2026 passa de 5%; indústria recua em agosto

O mercado eleva a projeção de inflação pela terceira semana e mantém os juros previstos. A indústria brasileira encolhe em agosto e os EUA criam 29 mil vagas em setembro.

Edição de 05/10/2026. Apuração encerrada às 09h52 de Brasília. Focus publicado hoje, com referência em 02/10. Produção industrial de agosto e emprego americano de setembro, ambos divulgados em 02/10. Sem cotações do pregão de hoje. Esta página não é atualizada em tempo real.

Brasil · Focus publicado nesta segunda

Inflação projetada sobe pela terceira semana

O Focus de 5 de outubro reúne expectativas coletadas até a sexta, dia 2. A mediana do IPCA para 2026 passou de 4,99% para 5,01%, na terceira alta semanal seguida. Para 2027, recuou de 4,31% para 4,30%. A estimativa de crescimento do PIB caiu pela quarta semana: de 1,86% para 1,85% neste ano e de 1,41% para 1,40% no próximo.

A projeção para 2026 passou de 5%Mediana do IPCA anual, em %
2026 · Focus de 25/094,99%
2026 · Focus de 02/105,01%
2027 · Focus de 25/094,31%
2027 · Focus de 02/104,30%
036

Expectativas do mercado, não projeções do Banco Central. Mesma janela de 30 dias. Escala de 0% a 6%; as revisões foram de +0,02 e −0,01 ponto percentual. Navy indica a edição anterior; dourado, a nova.

Fonte: Banco Central · Focus de 02/10.

As projeções de Selic permaneceram em 13,50% ao ano para o fim de 2026 e 12,00% para o fim de 2027. O câmbio também não mudou: R$ 5,20 e R$ 5,28 por dólar, respectivamente. As revisões da semana são pequenas, de um ou dois centésimos. O que chama atenção é a sequência na mesma direção, com inflação para cima e crescimento para baixo.

Projeções para 2026

Focus de 25/09 versus 02/10. Medianas agregadas.
Indicador25/0902/10
IPCA% no ano4,995,01+0,02 p.p.
PIB% no ano1,861,85−0,01 p.p.
CâmbioR$/US$5,205,20Sem mudança
Selic% ao ano13,5013,50Sem mudança

Projeções para 2027

Focus de 25/09 versus 02/10. Medianas agregadas.
Indicador25/0902/10
IPCA% no ano4,314,30−0,01 p.p.
PIB% no ano1,411,40−0,01 p.p.
CâmbioR$/US$5,285,28Sem mudança
Selic% ao ano12,0012,00Sem mudança

A comparação usa respondentes dos últimos 30 dias em ambos os relatórios, sem misturar a coluna de cinco dias úteis. IPCA e PIB são variações anuais; Selic é a taxa de fim de ano; câmbio é a média de dezembro. “p.p.” significa ponto percentual. As expectativas são dos participantes da pesquisa, não do Banco Central, e a estabilidade da Selic projetada não é uma decisão sobre as próximas reuniões do Copom.

Fonte: Banco Central · Focus de 02/10.

Fonte: Banco Central · Focus de 25/09.

Brasil · divulgação de 02/10

A indústria volta a cair em agosto

A produção industrial recuou 0,6% em agosto na comparação com julho, já descontados os efeitos sazonais, segundo o IBGE. Em julho havia subido 0,1%. Frente a agosto de 2025, a queda foi de 1,2%. No acumulado do ano, a indústria ainda cresce 0,8%, e em 12 meses, 0,6%.

Quatro meses, três quedasProdução industrial, variação sobre o mês anterior com ajuste sazonal, em %
Março de 20260,1%
Abril de 20261,1%
Maio de 2026−1,0%
Junho de 2026−1,6%
Julho de 20260,1%
Agosto de 2026−0,6%
−202

Dados realizados da indústria geral, na série consultada em 05/10/2026, que pode incorporar revisões de meses anteriores. Escala simétrica de −2% a +2%. Barras à esquerda do eixo indicam queda.

Fonte: IBGE · Produção física industrial, tabela 8888 do SIDRA.

De maio a agosto foram três quedas e uma alta. Compondo as quatro taxas mensais, a produção ficou cerca de 3,1% abaixo do nível de abril. A conta é minha, feita a partir da série do IBGE.

A queda de agosto foi espalhada. A indústria extrativa e a de transformação recuaram 0,7% cada. Entre as categorias de uso, bens de capital caíram 0,6%, bens intermediários, 0,2%, bens de consumo duráveis, 1,0%, e os semiduráveis e não duráveis, 1,7%.

O dado descreve agosto, embora tenha saído em outubro. A extrativa acumula alta de 6,1% no ano, enquanto a transformação tem variação de −0,1%, o que explica por que o resultado geral do ano ainda é positivo. Uma leitura mensal não define tendência, e o número não permite atribuir a queda a uma causa única.

Fonte: IBGE · Produção física industrial, tabela 8888 do SIDRA.

Fonte: IBGE · Produção por categoria de uso, tabela 8887 do SIDRA.

Estados Unidos · divulgação de 02/10

Emprego americano cresce pouco e é revisado para baixo

Os Estados Unidos criaram 29 mil vagas em setembro, segundo o relatório do BLS, o órgão de estatísticas do trabalho. Nos 12 meses anteriores, a média mensal havia sido de 45 mil. A taxa de desemprego ficou em 4,2% e, de acordo com o órgão, permanece entre 4,1% e 4,3% desde março.

Criação de vagas nos EUA, com as revisõesVariação do emprego não agrícola, em milhares de vagas
Julho de 2026 · revisado−10 mil
Agosto de 2026 · revisado133 mil
Setembro de 2026 · primeira leitura29 mil
−5050150

Antes da revisão, julho mostrava +21 mil e agosto, +162 mil. Escala de −50 mil a +150 mil. O número de setembro é a primeira estimativa e também pode ser revisado.

Fonte: BLS · Relatório de emprego dos EUA.

As revisões pesaram. O resultado de julho passou de 21 mil vagas criadas para 10 mil fechadas, e o de agosto, de 162 mil para 133 mil. Somadas, as duas revisões retiraram 60 mil vagas do que se conhecia antes.

O salário médio por hora subiu 0,1% no mês, para US$ 37,81, e 3,0% em 12 meses. Saúde abriu 17 mil vagas, construção, 11 mil, e indústria, 9 mil. As atividades financeiras fecharam 7 mil.

O relatório mede o emprego; ele não é uma decisão de juros. A decisão mais recente do Fed foi em 16 de setembro, e esta edição não antecipa a próxima. O BLS informa que o relatório de outubro sai em 6 de novembro.

Fonte: BLS · Relatório de emprego dos EUA.

O que mudou desde a última edição

Expectativa sobe, atividade esfria

A edição de 30 de setembro tratou do crédito mais caro no Brasil, da revisão do PIB americano e da alta de juros na Austrália. Hoje, as novidades são o Focus de 02/10, a produção industrial de agosto e o emprego americano de setembro. A comparação do Focus usa o relatório de 25/09, analisado na edição de 28/09.

No domingo houve o primeiro turno da eleição presidencial. A apuração e a conta do segundo turno estão na reportagem especial de 4 de outubro. Esta edição foi fechada sem cotações do pregão de hoje e não mede a reação dos preços ao resultado. O Focus publicado hoje foi coletado até sexta, antes da votação.

Minha leitura é que os dados da semana apontam para o mesmo desenho no Brasil: projeção de inflação um pouco maior e sinais de atividade mais fraca, com os juros esperados parados. Nos Estados Unidos, o emprego perdeu ritmo, mas a taxa de desemprego segue na mesma faixa desde março. São medições de períodos diferentes, e nenhuma delas, sozinha, define o próximo passo dos bancos centrais.

Thiago PenidoAssessor de investimentos e sócio da Manchester Investimentos

Fontes e referências

  1. Banco Central · Focus de 02/10 ↗Consulta em 05 de out de 2026
  2. Banco Central · Focus de 25/09 ↗Consulta em 05 de out de 2026
  3. IBGE · Produção física industrial, tabela 8888 do SIDRA ↗Consulta em 05 de out de 2026
  4. IBGE · Produção por categoria de uso, tabela 8887 do SIDRA ↗Consulta em 05 de out de 2026
  5. BLS · Relatório de emprego dos EUA ↗Consulta em 05 de out de 2026
Notas sobre as fontes e as datas de referência

Banco Central · Focus de 02/10
Publicado em 05/10/2026. Mediana agregada, respondentes dos últimos 30 dias, página 1.

Banco Central · Focus de 25/09
Publicado em 28/09/2026. Mesma base de comparação de 30 dias, página 1.

IBGE · Produção física industrial, tabela 8888 do SIDRA
Pesquisa Industrial Mensal de agosto de 2026, divulgada em 02/10/2026. Indústria geral, extrativa e de transformação. Variação mensal com ajuste sazonal, interanual e acumulados.

IBGE · Produção por categoria de uso, tabela 8887 do SIDRA
Agosto de 2026, divulgado em 02/10/2026. Variação mensal com ajuste sazonal das grandes categorias econômicas.

BLS · Relatório de emprego dos EUA
Publicado em 02/10/2026, às 08h30 no horário do leste dos EUA. Setembro de 2026, com revisões de julho e agosto. Próxima divulgação informada: 06/11/2026.

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