Flávio chega ao segundo turno em vantagem. O que pode mudar até 25 de outubro
A apuração mostra Flávio à frente. Uma simulação de transferência aponta 51,9% a 48,1%. Entenda as premissas, os limites dos 80% de chance e os preços dos mercados de previsão.
Thiago Penido
9 min de leitura
Edição extraordinária de 04/10/2026. Apuração parcial do TSE das 22h25min40s, com 99,90% das seções totalizadas. Mercados de previsão consultados às 22h28 de Brasília. A página não é atualizada em tempo real. Projeções e probabilidades estão identificadas junto aos números.
Flávio lidera a apuração. A disputa continua em 25 de outubro
Flávio Bolsonaro (PL) chegou ao segundo turno numericamente à frente de Lula (PT). Na atualização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) das 22h25min40s de domingo, 4 de outubro, eram 47,05% contra 45,13% dos votos válidos, com 99,90% das seções totalizadas. A diferença era de 2.288.370 votos, cerca de 2,29 milhões.
O painel oficial já indicava o segundo turno matematicamente definido. A votação será em 25 de outubro, conforme o calendário do TSE. Os totais abaixo são a fotografia deste corte, e não o encerramento da apuração.
O ponto de partida na urnaVotos válidos do primeiro turno, com 99,90% das seções totalizadas.
Flávio BolsonaroPL
47,05%
LulaPT
45,13%
Outros candidatos
7,81%
Ver os dados em tabela
Candidato
Votos
% dos válidos
Flávio Bolsonaro
56.079.251
47,05%
Lula
53.790.881
45,13%
Demais candidatos
9.312.430
7,81%
Cores usadas para leitura do gráfico, sem representar os partidos. Percentuais calculados sobre os votos válidos. A apuração ainda era parcial no corte.
Os candidatos eliminados somavam 9.312.430 votos, ou 9,31 milhões. Esse grupo será disputado pelos dois finalistas. O apoio de um candidato pode influenciar seus eleitores, mas cada pessoa decide novamente como votar.
A simulação aponta 51,9% a 48,1%
O material que serviu de base a esta reportagem propõe uma matriz de transferência de votos. Aplicada à apuração atualizada, ela produz um cenário de 51,9% para Flávio e 48,1% para Lula. A vantagem simulada fica em 4,32 milhões de votos.
É uma conta condicional. Ela mantém todos os votos dos finalistas e distribui os votos dos eliminados entre Flávio, Lula e uma saída dos votos válidos. Não entram pessoas que se abstiveram, votaram em branco ou anularam no primeiro turno. Também não há troca de votos entre as bases dos dois finalistas.
A migração na hipótese centralDestino simulado dos 9,31 milhões de votos dos candidatos eliminados.
Para Flávio
4,42 mi
Para Lula
2,39 mi
Fora dos válidos
2,51 mi
Ver todas as premissas de transferência
Eleitorado
Votos no 1º turno
Flávio
Lula
Fora dos válidos
Augusto Cury
3.446.556
39%
34%
27%
Renan Santos
2.674.900
54%
16%
30%
Ronaldo Caiado
2.604.046
52%
23%
25%
Romeu Zema
326.384
67%
13%
20%
Outros de esquerda
203.651
10%
68%
22%
Outros de direita
56.893
62%
15%
23%
Simulação editorial. Brancos, nulos e abstenção compõem a saída dos votos válidos. Os percentuais de transferência são hipóteses do material-base; não são uma pesquisa de intenção de voto. As bases de ambos os finalistas foram mantidas.
O placar dessa contaParticipação nos votos válidos do segundo turno, sob as premissas da matriz.
Flávio Bolsonaro
51,9%
Lula
48,1%
Ver os dados em tabela
Candidato
Votos simulados
% dos válidos
Flávio Bolsonaro
60.496.274
51,9%
Lula
56.179.071
48,1%
Projeção determinística, recalculada para esta reportagem. A marca de 50% ajuda a comparar os dois candidatos. A conta não prevê mudanças nas bases, novos votantes ou acontecimentos de campanha.
Para o eleitorado de Augusto Cury, a hipótese é de 39% para Flávio, 34% para Lula e 27% fora dos votos válidos. Para Renan Santos, são 54%, 16% e 30%. Para Ronaldo Caiado, 52%, 23% e 25%. Para Romeu Zema, 67%, 13% e 20%.
Essas taxas são premissas do estudo-base. O arquivo não traz os microdados, os cruzamentos completos nem os registros das pesquisas necessários para validar cada uma delas de forma independente. Por isso, são apresentadas como hipóteses, sem atribuí-las a uma nova pesquisa eleitoral.
51,9% dos votos e 80% de chance medem coisas diferentes
O placar projetado representa a divisão dos votos válidos em um cenário. Uma probabilidade de vitória tenta representar a chance de um candidato terminar acima de 50% em diferentes cenários possíveis. Um candidato pode aparecer com vantagem estreita nos votos e chance de vitória maior, dependendo da incerteza adotada.
O estudo recebido apresenta uma estimativa final de 80% de chance para Flávio e 20% para Lula. Também informa que Flávio venceu cerca de 87% de 200 mil simulações. O ajuste de 87% para 80% combina julgamento sobre campanha e mercados de previsão.
Esses números pertencem ao estudo-base. O HTML contém resultados e uma descrição das premissas, mas não o programa completo que gerou as simulações nem uma validação da sua capacidade de prever eleições. Esta reportagem refez a aritmética da transferência de votos; não reproduziu nem certificou a probabilidade de 80%.
O próprio estudo mostra que a chance calculada muda quando aumenta a variação admitida para a campanha. Isso limita o uso de uma probabilidade isolada. Rodar mais simulações reduz o ruído do cálculo, mas não resolve uma premissa mal escolhida.
O que precisaria mudar para Lula virar
Se todos os eleitores dos candidatos eliminados voltassem a registrar um voto válido, Lula precisaria de mais de 62,3% desse grupo para superar a diferença atual. Se 30% saíssem dos votos válidos, o limiar subiria para 67,6% entre os que continuassem votando.
Quanto Lula precisaria entre os eliminadosPercentual para empatar, mantendo os votos dos dois finalistas e sem entrada de novos eleitores.
Todos seguem votando
62,3%
20% saem dos válidos
65,4%
30% saem dos válidos
67,6%
40% saem dos válidos
70,5%
Cálculo: 50% + diferença do primeiro turno ÷ (2 × votos remanescentes dos eliminados). Para vencer, Lula precisaria superar o limiar. A saída é uma hipótese uniforme; mudanças de comparecimento ou votos entre os finalistas alteram a conta.
Essa conta só vale com as bases dos dois finalistas preservadas. Um eleitor que troca Flávio por Lula reduz a diferença em dois votos: um deixa de contar para Flávio e outro passa a contar para Lula. Já um eleitor adicional que vota apenas em Lula reduz a diferença em um voto.
Depois da transferência central simulada, uma troca de aproximadamente 2,16 milhões de votos de Flávio para Lula empataria o placar, mantendo todo o resto constante. Não é uma previsão de que essa mudança acontecerá. É a dimensão do movimento necessário dentro desse cenário.
Comparecimento também importa. A abstenção estava em 21,08% nas seções computadas pelo TSE. Saber quantas pessoas faltaram, sozinho, não revela para quem elas votariam. O efeito depende de quem volta, de quem deixa de votar e de como esses grupos se distribuem entre os candidatos.
Os mercados de previsão favorecem Flávio
Na consulta das 22h28 de Brasília, o gráfico do Polymarket indicava 84,7% de probabilidade implícita para Flávio. Na Kalshi, o contrato aparecia em 84%. São preços que mudam com as negociações e com as notícias.
Os preços dos mercados de previsãoProbabilidade implícita de vitória de Flávio, na consulta da noite de 04/10, às 22h28 de Brasília.
Polymarket
84,7%
Kalshi
84,0%
Fotografia de preços, sem atualização em tempo real. Os contratos de cada candidato são negociados separadamente; seus preços exibidos podem somar mais de 100%. Não são percentuais de votos nem resultado oficial.
Esses preços reforçam a leitura de favoritismo, mas têm limites. Os participantes das plataformas não formam uma amostra representativa do eleitorado brasileiro. Liquidez, posições concentradas e regras dos contratos também entram na formação dos preços.
Lula aparecia em 16% no Polymarket e 17% na Kalshi. Os valores exibidos para os candidatos não precisam fechar exatamente em 100%, porque são contratos negociados separadamente, com diferenças entre preços e arredondamentos. Não se deve transformá-los em uma pesquisa de intenção de voto.
A reação da bolsa depende do que já estava nos preços
A leitura econômica é condicional. Se investidores associarem o resultado a políticas fiscais mais previsíveis e medidas que favoreçam a atividade, podem reduzir a remuneração exigida para carregar ativos brasileiros. Isso pode beneficiar ações, o real e títulos públicos. Se as propostas ou a execução decepcionarem, o movimento pode mudar.
Ganhar a eleição e conseguir executar uma agenda são etapas diferentes. A composição do Congresso, a equipe econômica e as propostas concretas serão necessárias para avaliar esse caminho. O cenário internacional e as decisões dos bancos centrais continuam afetando os preços.
A direção ou o tamanho da próxima sessão não pode ser deduzido apenas da vantagem eleitoral. Parte das expectativas pode já estar incorporada aos preços. Nesta edição, não usamos a referência do arquivo a um ETF de Brasil em Tóquio nem as projeções percentuais atribuídas a bancos sem confirmação direta suficiente.
O que acompanhar até a votação
As próximas pesquisas feitas depois do primeiro turno ajudarão a medir a transferência de votos e a adesão dos eleitores dos eliminados. Será preciso observar o período de campo, o método, a margem de erro e o registro no TSE antes de comparar levantamentos.
Os apoios políticos precisam ser acompanhados junto da reação dos eleitores. Também merecem atenção a rejeição dos candidatos, a intenção de comparecer e eventuais mudanças nas bases que votaram em Flávio ou Lula neste domingo.
O calendário oficial prevê propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão de 9 a 23 de outubro. A votação ocorre no dia 25. Até lá, a vantagem registrada na urna é o ponto de partida; a transferência de votos e o comparecimento definirão quanto dela permanece.
Como os cálculos foram feitos
A reportagem usa o JSON oficial do TSE gerado às 22h26min35s, com atualização eleitoral das 22h25min40s de 04/10/2026. Conferimos a soma dos candidatos com os votos válidos e a soma dos seis grupos de transferência com os votos dos eliminados.
Para cada grupo, multiplicamos sua votação pelo percentual destinado a cada finalista. Somamos esses votos aos recebidos por Flávio e Lula no primeiro turno. A participação projetada de Flávio é F ÷ (F + L), e a de Lula é L ÷ (F + L). Quem sai dos votos válidos fica fora desse denominador. Os resultados são arredondados apenas para exibição.
As probabilidades de 80% e 87% são atribuídas ao material recebido, “Projeção 2º Turno 2026”, com base das 22h11. Seu HTML foi preservado no acervo local. A atualização da apuração e a revisão das somas explicam por que a vantagem simulada desta reportagem difere de alguns totais daquele arquivo.
Conteúdo informativo e educativo, sem apoio a candidatos, recomendação de investimento ou orientação de aposta. Simulações dependem das premissas e não asseguram resultados. Por Thiago Penido.
Thiago PenidoAssessor de investimentos e sócio da Manchester Investimentos
TSE · apuração de 04/10/2026, 22h25min40s Atualização oficial às 22h25min40s de 04/10/2026. 99,90% das seções. Totais e percentuais preservados no corte.
TSE · dados nacionais da totalização JSON oficial gerado às 22h26min35s. Soma dos votos dos candidatos e das bases de transferência conferida.
TSE · calendário eleitoral de 2026 Propaganda de segundo turno de 9 a 23/10; votação em 25/10.
Polymarket · eleição presidencial brasileira Consulta direta da interface às 22h28 de 04/10/2026. Gráfico: Flávio 84,7%; Lula 16%. Fotografia de preços.
Kalshi · eleição presidencial brasileira Consulta direta da interface às 22h28 de 04/10/2026. Flávio 84%; Lula 17%. Fotografia de preços.
Conteúdo informativo e educacional. Não constitui recomendação, oferta de valores mobiliários ou consultoria de investimentos. Não destinado a fins fiscais. Rentabilidade passada não garante resultados futuros. Reportagem informativa, sem apoio a candidatos, recomendação de investimento ou orientação de aposta. A matriz de migração é uma hipótese; a estimativa de 80% pertence ao estudo-base e não foi validada como probabilidade calibrada.
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